...a chuva já passou por aqui, eu mesma cuidei de secar...
Ele não podia contar. Era demais até sussurrar na escuridão de suas noites solitárias o que sentia. Era loucura, um devaneio, pensava consigo mesmo - não há de ser nada, vai passar - mas não passava, nunca deixava de sentir, de suar, desejos inatingíveis o massacravam bem no fundo do seu cubículo de homem feito, pensamentos que não se findam o faziam beirar a loucura de um corpo jovem demais, que ele não teria, nunca.
Já não podia dormir, encontrava em seus sonhos o sorriso largo e os cabelos longos, não se permitia fechar os olhos.
Em seus ouvidos nada mais que ruídos e tilintares, a voz na cabeça repetia como um cd arranhado, aquela outra voz mansa, que nem moça feita ainda não era. Os dias era torturantes e os pensamentos maltratam quem tenta fugir do real e do tátil, precisava sair.
E ela foi embora, levando um coração leviano do homem que pra sempre e sem saber mastigava a angústia de não ter. Ela nunca precisou de um amor velho, não sentiu dor alguma, mas levou uma vida que não há de continuar sem os sorrisos, sem sono e sem as rimas dos dias frios que passam e provam que o tempo não perdoa.
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