segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Batatas

...why you wanna break my heart again?


Ela não entendia. Mais do que isso ela queria sumir. Não só pra ela, mas pra ele também. Queria sumir do mapa, cegar a vista. Tudo não fazia mais sentido, as flores e os rodeios, as palavras e o carinho, ela sentiu sufocar, com um aperto no peito daqueles que paralisam a respiração, não dão sinal de melhora.
O mundo parecia não corresponder a sua essência, tudo cinza, solitário, como se tivera sido jogada em um canteiro onde tudo é fugaz e nada é como antes. Inércia.
Ela sabe que pra tudo existe um jogo e em todo jogo existem regras, isso confunde, tira o sossego. Ele sabe amar, mas também sabe ser amargo, cria mundos e os desfaz com a facilidade do desatar de cadarços. E assim tudo termina.
Tantos encontros e desencontros girando em torno de dois tontos, duas cabeças confusas procurando (não sem dor) um ponto em comum. Desistiu.
Escreveu palavras repetidas em um pedaço de papel...uma carta? um bilhete, quem sabe...
Não tinha vontade de sorrir, sofrer é sempre tão exato. É tão simples.
" Não posso esquecer: quando chegar em casa não faça barulho, por favor. Eu iria despertar daquele sono que custei a conquistar e consegui chegar até aqui, crua e intacta. Seu jantar está no forno, não esqueci as batatas.
Com amor, Janice. "
De um jeito ou de outro, não consigo te deixar.

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